quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Viagem - doutrina espírita em novela

















A Viagem (doutrina espírita em novela)

05/11/2005 07:21



A luta pela audiência a qualquer preço não havia começado, assim a TVbuscava principalmente entreter e educar. Diga-se de passagem que afamilia mantinha suas estruturas tradicionais e foi em parte porinfluência da própria televisão, que possibilitava aos brasileirosacompanharem de perto as mudanças da sociedade americana, que astransformações de costumes ocorreram. Realmente era uma televisão muitodiferente da que conhecemos hoje, bem menos violenta e com padrões dequalidade mais altos.


Em 1969, quando o homem pisa pela primeira vez na lua, é um mundointerligado por satélites que acompanha o evento ao vivo. Em 1972 é feitaa a primeira transmissão em cores: A "Festa da Uva" de Caxias, Rio Grandedo Sul.


Em 1969, quando o homem pisa pela primeira vez na lua, é um mundointerligado por satélites que acompanha o evento ao vivo. Em 1972 é feitaa a primeira transmissão em cores: A "Festa da Uva" de Caxias, Rio Grandedo Sul.


O Pinga-Fogo era um popular programa de entrevistas, em que o entrevistadoera sabatinado por todos os lados. Vinham perguntas da platéia, dosentrevistadores, dos convidados especiais e até dos telespectadores portelefone. O primeiro programa, de 28 de julho de 1971, se estendeu dasonze e trinta da noite até as três horas da madrugada. Segundo ojornalista Marcel Souto Maior, em seu livro "As Vidas de Chico Xavier",nada menos que 200 telespectadores ligaram durante o programa e 75% dostelevisores paulistas se mantiveram ligados até o final [MAIOR, 1994, pag.172]. O mesmo jornalista informa que nas semanas seguintes o programa foireprisado três vezes seguidas, na integra, a pedido dos telespectadores [MAIOR, 1994, pag. 176]. A segunda entrevista foi realizada com o mesmosucesso em 12 de dezembro.


Com base no sucesso das entrevistas no Pinga-Fogo, é a mesma TV Tupi queem 1976 leva ao ar a novela de Ivani Ribeiro (1922-1995) "A Viagem",baseada na obra "E a Vida Continua" psicografada por Chico Xavier, doespírito André Luiz. Novamente em 1978 a TV Tupi voltaria ao tema damediunidade e do Espiritismo com nova novela de Ivani Ribeiro, "OProfeta".


Se a história do Espiritismo brasileiro pode ser dividida em duas fases -antes e depois de Chico Xavier - a biografia de Chico pode ser dividida emantes e depois do "Pinga-Fogo" e das novelas da Tupi. Em 1971, Chico jáera um médium consagrado nos meios espíritas e o Espiritismo uma correntede pensamento respeitada na sociedade brasileira, mas foi com esteprograma de televisão que informações completas sobre eles chegaram assalas de milhões de lares. Lares que também acompanhariam, durante mesesseguidos, as tramas de temática espírita de Ivani Ribeiro e sefamiliarizariam com a reencarnação, a comunicação mediunica e a lei decausa e efeito.


E o sucesso destes programas da TV Tupi abriu caminho para a DoutrinaEspírita na televisão brasileira. E não seriam poucas vezes que oEspiritismo voltaria a ser tema de entrevistas, noticiários, novelas eprogramas de todos os tipos. Até mesmo os detratores da Doutrina, buscandopela televisão denegri-la, tem levado incontáveis telespectadores aprocurarem maiores informações do que é esta Doutrina tão citada e comconceitos tão interessantes quanto a vida após a morte e a possibilidadeda comunicação com os entes queridos que já fizeram a "grande viagem".


Um outro fenômeno, que precisa ser melhor estudado, e que possivelmentetambém deve muito a TV Tupi, é a penetração da Doutrina Espírita no meioartístico. Não são poucos os atores brasileiros que se declaram espíritase simpatizantes do Espiritismo e não seria surpresa descobrir que seuprimeiro contato com a Doutrina tenha sido em novelas ou programas detemática espírita.


Finalizando este artigo sobre a TV Tupi e o Espiritismo não poderiamosdeixar de lembrar que ela também forneceu um veículo de comunicação paracampanhas assistênciais espíritas como mostra um trecho da entrevista com"Aparecida Conceição Ferreira", publicada na Folha Espírita de São Paulode setembro de 1979, onde se fala do "Hospital do Fogo Selvagem"







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A novela 'A Viagem' é um clássico da teledramaturgia. Produzida em 1975, na TV Tupi, e em 1994, na Globo, foi um grande sucesso em todas as vezes em que passou. É a novela que melhor abordou o espiritismo.


Christiane Torloni deu um show como Dinah, deixando muitos sem imaginar outra atriz fazendo esse papel. Foi a melhor interpretação da carreira de Guilherme Fontes, como o atormentado Alexandre, e uma deliciosa oportunidade de conferir o talento de Lucinha Lins como Estela. Além de uma chance única de ver Antônio Fagundes às 19 horas.


A autora deu oportunidade aos atores que participaram de seu sucesso anterior, Mulheres de Areia, de interpretar papéis bem diferentes - Guilherme Fontes, por exemplo, que era o mocinho Marcos, transformou-se no sedento por vingança Alexandre; Laura Cardoso, a pobre mulher de pescador Isaura, (mãe das gêmeas Ruth e Raquel) foi a rica Dona Guiomar.


Uma coisa boa é o ritmo em que a história de Alexandre (e dos outros personagens, como o romance de Dinah e Otávio) foi desenvolvida... Ele leva mais de um mês para se suicidar, dá tempo do público gostar do personagem.


Se fosse feita hoje, Alexandre teria de matar, ser preso, fugir, ser preso novamente, ser espancado na cadeia e se matar, tudo no primeiro capítulo... A Globo atualmente se preocupa em fazer um primeiro capítulo eletrizante e muitas vezes não desenvolve bem as situações. Ainda bem que este remake foi feito em 1994 e pelas mãos da grande Ivani Ribeiro...


A audiência da primeira exibição do remake, em 1994, foi digna de novela das 20 horas. A Viagem fechou com média geral de 57 pontos - o maior da história do horário. Os núcleos tinham ações bem distribuídas e personagens carismáticos, como o Mascarado que, embora não falasse, passava seu recado através de mímicas, encantando os telespectadores com seus gestos.



Um toque de requinte foi o uso da grua em boa parte das cenas. A câmera abria planos do alto, mostrando belos lugares (como a casa de Otávio ou o lugar onde Dinah cavalga) e acompanhava o personagem por onde ele passa, dando-nos a sensação de estar ali, seguindo-os. Tudo isso casado com os sucessos musicais da época (Patrícia Marx, Yahoo, Fábio Júnior, Roupa Nova etc).


No original da TV Tupi, Eva Wilma foi Dinah, Tony Ramos, Téo; Ewerton de Castro, Alexandre; e Irene Ravache, Estela. O remake foi a última novela escrita pela grande Ivani Ribeiro, que viria a falecer no ano seguinte. É a única autora a ter suas histórias reprisadas mais de uma vez dentro do Vale a Pena Ver de Novo (A Viagem e A Gata Comeu). Tivemos o prazer de rever a história em 2006.


A trama é repleta de momentos emocionantes: o encontro de Dinah e Alexandre na cadeia, a morte dele, a morte de Dinah nos braços de Bia, o reencontro de Dinah e Otávio no céu... A música triste que tocava quando alguém chorava e o tema das cenas no céu também marcaram.


Dinah, Alexandre, Otávio, Mascarado, Dona Marocas, Doutor Alberto, Seu Tibério ... personagens que ficaram na cabeça do público, que sente saudades de uma história bem desenvolvida, consistente e envolvente, como raramente se vê hoje. Os fãs de uma boa novela não reclamariam se uma terceira reprise viesse por aí, daqui há alguns anos...


Na história, o mimado Alexandre é preso após matar um homem durante um assalto. A irmã Dinah se empenha em libertá-lo, mas o advogado Otávio Jordão faz questão de mantê-lo atrás das grades, pois o homem que Alexandre matou era seu sócio. Dinah passa a odiar Otávio. Alexandre vive maus momentos na cadeia até se suicidar. Sua alma vai para o Vale dos Suicidas, um local de sofrimento, cheio de fogo e gritos, e de lá sai com freqüência para atormentar o cunhado Téo, Guiomar (a sogra do irmão, Raul), e Tato, o filho mais velho de Otávio.

Com o tempo, Dinah e Otávio se apaixonam, mas ele morre em um acidente de carro provocado por Alexandre. Dinah perde a vontade de viver e morre nos braços da sobrinha Bia, ao reencontrá-la (ela havia fugido de casa). Dinah e Otávio se reeencontram no céu e se unem para tornar Alexandre uma boa alma.


As histórias paralelas são um show à parte. Tem o sofrimento de Stella com a rebeldia da filha Bia, que acredita que o pai, o vigarista Ismael, seja uma pessoa do bem; o Mascarado, figura misteriosa e alegre que anda pelas ruas; Carmem, amiga de Lisa, que no início da trama se enfeiava para trabalhar na locadora da ciumenta Dinah; a pensão de dona Cininha, onde morava seu Tibério, que tinha um amigo imaginário...


O espiritismo foi abordado com a profundidade que nenhuma outra novela conseguiu - a presença de espíritos influenciando a atitude das pessoas, a possessão de Téo e de figurantes nas sessões de mesa branca do doutor Alberto, nas quais Alexandre se manifestava, a representação do céu e inferno (no caso, o Vale dos Suicidas). Os efeitos especiais utilizados ainda são críveis hoje.



Foram vários momentos marcantes: a morte de Alexandre, com a gaivota voando no horizonte; o momento em que Adonay tira a máscara; a relação forte entre Dinah e Stella - uma sentia quando a outra estava correndo perigo e, mais para o final, Stella podia ouvir o espírito da irmã e sentir sua presença na casa, embora não a visse; a morte de Dinah nos braços de Bia e o instantâneo mal estar de Stella no momento da morte da irmã; o reencontro de Dinah e Otávio no céu (um correndo em direção ao outro e dando um forte abraço - quem já não pensou em fazer isso com alguém que ama ao chegar ao outro plano?); a conversa do espírito de Dinah com a filha Paty; a chegada de dona Marocas no céu... Enfim, uma história fascinante, que sempre valerá a pena ver de novo.



Um comentário:

Ivonildo disse...

meu nome é denise e gostaria de ver a vonela a viagem parte 2 continuação por que sou espirita e frequento a religião depreferência na novela das 9:oo hs