quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sindicato dos Bancários de Brasília repudia declarações de Luiz Felipe Scolari

A diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às declarações feitas pelo senhor Luiz Felipe Scolari em sua primeira entrevista coletiva no retorno ao cargo de técnico da seleção brasileira, as quais colocam em dúvida a idoneidade e a conduta dos bancários do Banco do Brasil, o que demonstra sua incapacidade de respeitar “o outro”, sua total falta de habilidade no relacionamento com pessoas e seu desprezo com profissionais comprometidos e altamente capacitados, atingindo inclusive seus familiares. O Sindicato também repudia a forma pejorativa como o episódio foi tratado por algumas pessoas, repercutindo e ampliando este lamentável fato.
 
A declaração - desrespeitosa, preconceituosa e infeliz - foi feita na sede da CBF, nesta quinta-feira 29 de novembro, e replicada por jornais e blogs. Com a frase “se não tiver pressão para quem joga futebol, é melhor trabalhar no Banco do Brasil, ali na esquina, sentar no escritório e não fazer nada”, o senhor Scolari ataca a honra de mais de 114.000
funcionários, expondo-os ao ridículo perante os 57 milhões de clientes, em mais de 5 mil agências do banco no país.
 
Esses trabalhadores sempre participaram dos momentos mais importantes do processo de desenvolvimento econômico nacional, inclusive na esfera municipal, fazendo o Banco do Brasil ser reconhecido como a maior instituição financeira pública do país. Enquanto cidadãos, sempre tomaram a iniciativa de apresentar para a sociedade um projeto alternativo de Sistema Financeiro. Em campanhas salariais, denunciam o abuso dos bancos e reivindicam redução de juros e tarifas, mais contratações e melhor atendimento aos clientes de todos os bancos.
 
Causa-nos repúdio que uma figura que, para muitos, ocupa o cargo mais importante depois da Presidência da República, fuja aos princípios éticos que devem nortear qualquer ação de um ente público e utilize os microfones para atingir a imagem de cidadãos e cidadãs com afirmações infundadas.
 
Ao contrário do que o senhor Scolari pensa e fala, os bancários do BB produzem e muito, independentemente de trabalharem numa agência ou num escritório. Eles pertencem a uma categoria e não possuem nenhuma regalia, seus benefícios e condições de trabalho são fruto de lutas históricas. Os empregados em bancos são controlados, a cada minuto, para atingirem metas abusivas, tanto da venda de produtos quanto da prestação de serviços internos e externos.
 
Não é por acaso que esta categoria está classificada entre as mais estressantes. O número de trabalhadores que tomam remédio controlado e o de afastados diagnosticados com doenças físicas e psíquicas só confirma essa realidade, desmentindo, portanto, a afirmação leviana do incauto. O processo de trabalho dos bancários foi decomposto e informatizado, terceirizado ou transferido para correspondentes bancários, acarretando uma pressão cotidiana sobre os postos de trabalho do setor.
 
Menosprezar o trabalho dos outros para querer sensibilizar seus liderados ou “familiares” sempre será uma péssima escolha.
 
Eduardo Araujo de Souza
Presidente em exercício do Sindicato dos Bancários de Brasília
 
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Sindicato dos Bancários de Brasília
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